Pedro Ganha um Novo Amigo

 Pedro Ganha um Novo Amigo

A casa de Pedro ficava em um lindo sítio no interior
A casa de Pedro ficava em um lindo sítio no interior

  Há muitos anos, em uma pequena vila do interior, vivia uma família muito feliz: um papai, uma mamãe, uma vovó, e um menino de oito anos chamado Pedro. Não tinham muitas coisas, mas o básico para levar uma vida tranquila.

    Moravam em uma casinha de madeira não muito grande, com as paredes sem pintura. Por conta da chuva e do sol ao longo dos anos, as paredes ficaram escuras, dando uma aparência um pouco triste à casa.


    No quintal, havia um galinheiro, onde umas trinta galinhas dividiam espaço com alguns patos. O galinheiro ficava ao lado do grande pomar de frutas, onde haviam enormes pés de goiaba, abacates, mamões, ameixas e bergamotas (mexiricas ou tangerinas, dependendo de qual parte do Brasil você está).


    Também havia uma horta com muitas verduras e legumes que Vovó Dindinha cuidava com todo cuidado.


    Pedro era um menino muito amável. Era a alegria da casa! Vovó Dindinha costumava chamá-lo de “meu cravo”. O menino não gostava muito, pois não entendia o que significava. Não sabia ele que cravo é o nome de uma linda flor.


    Pedro passava as manhãs brincando sozinho na sombra das grandes árvores do pomar.     Brincava de fazendinha, imitando os trabalhos que o pai fazia no sítio. Para bois, usava sabugos de milho, para carrinhos, usava caixinhas, pedaços de madeira, e assim criava um mundo no qual ele mergulhava por horas, sem dar a menor preocupação aos pais.


    Mas apesar desta aparente tranquilidade, Pedro sentia-se solitário. Não havia ninguém para brincar, pois nas redondezas não morava nenhuma outra criança de sua idade, apenas uns meninos mais velhos no sítio vizinho, que nunca vinham até sua casa.


    Uma vez por mês a família recebia visita de um final de semana, quando os primos de Pedro vinham com seus pais para visitar vovó Dindinha.


    Neste dia havia festa na casa, pois todos se divertiam: papai com seu violão cantava músicas antigas, mamãe botava a conversa em dia com sua irmã que morava na cidade, e Pedro brincava o dia inteiro com seus primos. Mas depois que os parentes iam embora, Pedro sentia um grande vazio.


    Tudo ficava quieto, a rotina voltava ao normal: papai com seus trabalhos na roça e com o gado, mamãe cuidando dos animais e da casa, e vovó cantando suas cantigas tristes na horta ou cochilando na rede. 


    Pedro já não se sentia muito feliz. O pai percebeu e comentou com a mãe: 

    -Que tem esse menino? 

    -Acho que ele está se sentindo sozinho - respondeu a mãe.

    -O que vamos fazer? Mesmo que ele tivesse um irmãozinho, seria muito pequeno para brincar com ele - disse o pai.

    -Talvez se ele tivesse algo para cuidar, para passar o tempo, não ficaria tão triste - pensou a mãe, e então sugeriu.

    -E se déssemos a ele um cachorrinho? Ele poderia ter um amigo para brincar, e ao mesmo tempo para cuidar. E também precisamos de um cão aqui no sítio.    


    O pai não gostava muito de cachorros, mas pelo filho, prometeu que ia pensar no assunto.

   Passado alguns dias, em uma tarde de sábado chuvosa, Pedro estava no quarto desenhando em seu caderninho, quando ouviu o pai chamar:


    -Pedro, vem cá! Rápido!    


   O menino correu até a varanda e então viu o que era: no colo do pai, que estava sentado em sua velha cadeira de balanço, viu enrolado em uma toalha velha, todo assustado, um pequeno filhote. Pedro não acreditou!


O pai de Pedro lhe entregou uma caixa de papelão. Quem estava dentro?
O pai de Pedro lhe entregou uma caixa de papelão. Quem estava dentro?


-Pai!!! O que é isso? Perguntou algo que já sabia a resposta. O sorriso iluminou seu rosto, e lentamente aproximou-se  do pai, que estendendo os braços disse:


-É seu! Sua mãe e eu achamos que você já tem idade suficiente para cuidar de um cachorrinho. Você terá que cuidar dele, dar comida, água, e em troca terá um amigo como nunca teve!


O menino não sabia o que dizer. Abraçou o filhote e o beijou. Em sua cabeça milhares de planos já começavam a brotar: onde ele ia dormir, o que ia comer, onde eles viveriam suas aventuras, qual nome…


-Um nome! Precisamos de um nome - lembrou Pedro.

O filhote era todo preto, menos duas manchas sobre os olhos, que lembravam duas sobrancelhas, e o peito, que eram de um amarelo escuro, como um dourado.


-Totó! - sugeriu a mãe.

-Não! Tem que ser um nome forte! Que tal Valente! - disse o pai.

Pedro não gostou de nenhum desses. Um após outro os nomes iam surgindo, e ninguém concordava.


-Tuco! - gritou Vovó Dindinha - Será Tuco!

-Tuco? disseram todos.

-Sim! Vai ser um bom nome! - pensou mamãe.


O pai não gostou muito no começo, mas como não pensavam em nada, resolveu aceitar. Depois, se o nome não “pegasse”, eles pensariam em algo diferente. Tuco pareceu gostar do nome. Já não estava mais com medo daquelas pessoas estranhas que falavam alto e ao mesmo tempo.


Começou a farejar por todo lugar, para saber onde estava. Cheirava os pés das pessoas, as paredes, o vaso de flores que mamãe mantinha na varanda. Pedro estava sem palavras. 


-Pedro, precisamos achar um lugar para ele dormir. - falou a mamãe.

-Tenho uma caixa de madeira no galpão, vou buscar. - disse papai.

-Traz algo pra ele comer, dá um leitinho pra ele! - gritou vovó lá da cozinha.


Mamãe trouxe um potinho com leite.


-Este vai ser o pratinho dele - disse.

Tuco tomou aquele leite como se estivesse há dias sem comer nada!

-Que guloso! Vai ter que ter umas cinco vacas só pra dar leite pra este bicho! - disse vovó.

Pedro achou engraçado! Não sabia que os cães tomavam leite com a ponta da língua, e tão rápido!


Já era noite quando a mãe o chamou:

-Pedro, venha já tomar banho pra jantar, e vamos já pra cama!

-Aahh! Mãe! Queria brincar mais com o Tuco! - reclamou o menino!

-Não filho! Hora de dormir! Amanhã você tem o dia todo pra brincar com ele!

Após um banho e sopinha na janta, Pedro foi pra cama, mas não sem antes ir dar uma olhada como estava Tuco.


Tuco estava cansado e logo pegou no sono
Tuco estava cansado e logo pegou no sono

O cãozinho, que estava dormindo todo enrolado em um velho tapetinho macio, acordou e olhou para Pedro, e como um sorriso, baixou as orelhas e balançou o rabinho.

Pedro ficou muito feliz com seu novo amiguinho. Nascia ali uma grande amizade, e Pedro foi dormir com a certeza de que grandes aventuras estariam por vir!

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